Por Bruno Rebouças
No mundo do futebol o mais famoso ‘imortal’ é o Grêmio de Porto Alegre. Esse apelido já existia antes da dita ‘batalha dos Aflitos’, em 2006. Naquela ocasião, o Grêmio jogava com três homens a menos que o Náutico, em Recife, e precisava vencer o jogo para voltar a série A. Foi o que aconteceu. Mas, como eu disse antes, o apelido ‘imortal’ do Grêmio surgiu antes de tal ‘batalha’. Surgiu com o retrospecto do clube jogando no Olímpico.
Pois bem, o Nordeste tem um ‘imortal’. O Rio Grande do Norte, mais precisamente a capital, Natal, tem o seu time ‘imortal’, aquele que jamais, ou pelo menos de vez em nunca, perde em casa. Esse clube é o ABC, o time do povo. E, foi com essa ‘imortalidade que o ABC foi campeão brasileiro.
Dos sete jogos que o ABC disputou no Maria Lamas Farache, o time alvinegro venceu cinco e empatou dois. Dos 14 jogos que traçou até ser campeão, o time do povo perdeu somente duas partidas, ainda na fase de grupos.
Num Frasqueirão sempre fervendo, como destacou a imprensa nacional, com uma torcida vibrante que jogou em conjunto com a equipe dirigida pelo técnico Leandro Campos, o Ituiutaba não foi páreo para o ABC. A equipe mineira fez um bom primeiro tempo, mas sem chances concretas de gol. E, se não fosse a ótima atuação do goleiro Luís Henrique, o mais querido tinha ganhado de pelo menos três a zero.
A conquista do título veio sofrida, como manda o roteiro de grandes conquistas. Em um segundo tempo muito bem jogado, o ABC criou e desperdiçou várias oportunidades de gol, bem como gols feitos. Além de ter levado um susto no final, quando após cobrança de falta a favor do Ituiutaba, a bola triscou o travessão alvinegro, levando a Frasqueira a 5 segundos de silêncio absoluto.
No título inédito ao futebol norteriograndense, sendo o segundo clube do Nordeste a ter conquistado tal campeonato (o primeiro foi o Sampaio Correia, em 1997), faltou o mais essencial, o gol. Apenas um gol para coroar a festa que a torcida abcedista fez e, que impressionou os comentaristas da TV Brasil, emissora que transmitiu a fase decisiva da série C.
Porém, com muita experiência e, utilizando o regulamento o ABC sagrou-se campeão de forma inconteste. Os jogadores alvinegros jogaram as partidas como deveriam jogar, tendo em vista que cada fase durou 180 minutos e não apenas os 90 habituais. Venceu fora e empatou em caso, ou venceu as duas, quando conquistou o acesso a série B, contra Águia.
Vale frisar que o ano alvinegro não acabou ainda. Tem pela frente a fase decisiva do Campeonato do Nordeste e, além da importância de tal título, o ABC pode conquistar a tríplice coroa (título Estadual, Nacional e Regional), fato que não acontece no futebol brasileiro desde 2005, quando o São Paulo venceu o campeonato paulista, a Libertadores e o Mundial.
Após a partida, uma multidão tomou as ruas de Natal. E, mais uma vez, a frase de Câmara Cascudo: “numa cidade chamada Natal, existe um povo chamado ABC”, foi confirmada.
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