O 1º frasqueirazzo do ABC

 

Por Bruno Rebouças

 

 

FOI RUIM COMO CAFÉ FRIO. Frustrante como ganhar e não ser campeão. Com 13.800 torcedores cantando, pulando, jogando junto o ABC perdeu de virada para o time B do Vitória da Bahia, sério postulante a disputar a série B, em 2011.

Para quem esperava um estádio vazio, devido ao horário, a torcida do ABC demonstrou mais uma vez sua força, fidelidade e paixão e lotou o Frasqueirão, mais uma vez para ver o mais querido campeão. Engana-se quem pensa que tanta gente foi ao estádio ver apenas um jogo. Os alvinegros foram para ver o clube do povo vencer mais um campeonato. Garanto que ninguém saiu feliz pela perda, ou satisfeito por já ter ganho dois campeonatos.

Nas arquibancadas a incredulidade era visível e, acima de tudo, a frustração enorme. Foi vergonhoso o que os jogadores do ABC fizeram no segundo tempo de jogo, salvo duas ou três exceções.

 

O JOGO

 

APÓS UM INÍCIO NERVOSO, o time do ABC se acalmou e começou a jogar de forma leve. Apresentou bons momentos e fez o gol com João Paulo. Depois disso, o mais querido começou a criar diversas oportunidades de gol, sem concluí-las a gol. Desperdiçou diversas chances de gol e foi punido, com o gol de empate do Vitória, após erro grotesco do zagueiro Thiago Garça, que seguiu a bola e foi enganado pelo toque sutil do jogado baiano, Kleiton Domingues, desviando a bola para concluir livremente a gol.

Era injusto. O Vitória havia chutado apenas uma bola para o gol de Wellington, mas fez o gol. O Vitória estava mais que no lucro. Havia empatado o jogo e, escapou de uma goleada ainda no primeiro tempo.

O time baiano cozinhou o restante do jogo, sem se arriscar. O primeiro tempo acabou com a torcida do ABC inconformada com o técnico Leandro Campos, por este ter escalado, de novo, um zagueiro na lateral direita e três volantes, sendo um deles Everton César que quebrou a harmonia do meio campo, além de está jogando uma pelada entre solteiros e casados.

 

SEGUNDO TEMPO – MUDANÇA DE POSTURA E PERDA DO TÍTULO

 

OS CLUBES VOLTARAM PARA A SEGUNDA ETAPA com posturas diferentes. O Vitória parecia mais confiante que na primeira etapa e arriscou alguns contra ataques. Nada demais. O ABC tinha espaço pela direita, mas não tinha lateral. Cascata foi anulado pela defesa do Vitória, mas também não fez grandes esforços para sair da marcação. O melhor jogador abcedista se escondeu atrás dos zagueiros e nada fez.

O jogo do ABC era pela lateral direita. Espaço, muito espaço. Mas um zagueiro improvisado de forma inexplicável contralava as ações do clube alvinegro pelo lado do campo. A torcida pedia a saída de Édson e Leandro Campos ignorava o pedido da torcida. Algumas poucas chances foram criadas em bola parada e, o zagueiro lateral tentava passar pela marcação, mas sem sucesso.

Édson finalmente saiu, após se contundir, novamente de forma suspeita. Leandro finalmente colocou em campo o lateral de ofício Lisa. Quando Lisa entrou em campo o Vitória já havia fechado a avenida.

João Paulo continuou chutando bola por cima do gol, tal qual um kicker no futebol americano. Aquele que chuta a bola por cima da trave. A torcida continuava revoltada com o volante número 8, Everton César. Leandro Campos empatava o jogo, levando a decisão por pênaltis, jogando em casa e não mexia no time.

O Vitória esboçava gostar do jogo. Mas o ABC insistia sem fundamento. Em jogada pela direita, após colocar a bola entre as pernas de Everton César, não receber combate da cobertura de Lisa e, encontrar Thiago Garça dentro da área para também ser driblado, o garoto baiano Kleiton Domingues, rolou pro meio da área, para o volante Marconi, livre de marcação vira o jogo e sagrar-se tetra campeão do Nordeste, dentro do Maria Lamas Farache.

Depois do apito final, o locutor do Frasqueirão pediu orgulho aos torcedores, pois eles são campeões brasileiros. Em seguida, entoou o hino do ABC, acompanhado pela torcida, num coro emocionante, porém frustrante. A torcida não cantou o hino nem até a segunda parte.

Os torcedores saiam do Frasqueirão ouvindo os 30 torcedores do Vitória, entre eles americanos, comemorar o título. Nas rádios os comentaristas não viram salto alto dos jogadores do ABC. Eu também não. Eu vi férias. Jogadores de férias disputando uma final importante para torcida e pro clube.

Não foi mais frustrante porque o objetivo principal do clube fora alcançado. Subir para a série B e ser campeão brasileiro.

O jogo de ontem revelou algo que eu já havia dito. Leandro Campos é retranqueiro e, ontem foi omisso. Fica na minha cabeça que o ABC venceu a série C do Brasileiro, porque vencia fora e podia empatar em casa.

A derrota de ontem não foi uma tragédia, mas não deixa de ser o primeiro frasqueirazzo do ABC, não em proporções a derrota brasileira na Copa de 1950, pro Uruguai. Longe disso. A alusão é apenas ao fato, pois da mesma forma, ambas equipes eram favoritas e jogavam diante de sua torcida. Os jogadores do ABC frustraram o Carnatal e o fim de ano de sua torcida que, sonhou até o fim do jogo de ontem, na tão sonhada tríplice coroa.

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